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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Uma vitória de Pirro?



Robson Sávio, do blog  Conversando Direito


A cidade do Rio de Janeiro viveu, nas três últimas décadas, um grande dilema. Salvo a Zona Sul e outras partes “nobres” da metrópole, a grande maioria dos moradores - aqueles de vivem nas centenas de favelas cariocas - estava dividida. De um lado um estado corrupto, que mantinha estreita conexões entre várias modalidades do crime, como o jogo do bicho, por exemplo - e que, por sua vez, operava de dentro da máquina estatal, corrompendo políticos e outras autoridades -; uma das polícias mais violentas e viciosas das Américas (talvez do mundo!); uma sociedade dividida em o glamour da zona sul e a miséria das favelas. Enquanto isso, de costas para as comunidades carentes, o Estado permitia o adensamento exponencial do tráfico de drogas que ampliou seus domínios, aumentou seu "poder de fogo", corrompeu autoridades, monopolizando, com o tempo, uma extensa rede de “serviços criminosos terceirizados”, concretizados, atualmente, nas milícias.



As comunidades estavam reféns entre o “ruim” e o “péssimo”. O ruim representado pela omissão estatal que sonegava aos cidadãos cariocas a cidadania, permitindo que os moradores das favelas fossem reféns de todos os males do tráfico sem controle. E o péssimo representado pelos traficantes - que num primeiro momento (década de 1980) supriam os serviços públicos deficitários (comprando medicamentos para os doentes, cedendo vales transporte para os necessitados, etc.), e com o passar do tempo começou a cobrar um altíssimo preço (da variava da conivência à participação compulsória nas atividades do tráfico).



A onda de violência associada ao tráfico de drogas começou a transbordar das favelas no final da década de 1990. E chegou a incomodar a “turma da zona sul” - aquelas madames e seus playboyzinhos que sempre consumiram as drogas do morro, mas que não queriam saber dos problemas sociais ocasionados pelo tráfico. E o assunto virou notícia na mídia - que tem entre seus principais consumidores notadamente a classe média.



Desde então os sucessivos governos fluminenses, muitas das vezes apoiados pelo governo federal, fizeram todo o tipo de pirotecnia sem enfrentar verdadeiramente o crime que se espraiou em toda a sociedade local, adentrando perigosamente na máquina do Estado. Muito show midiático e, como todos sabemos, pouquíssimos resultados objetivos. Após os shows, aquelas invasões sem resultados, muitas transmitidas "ao vivo" - como agora (que vitimavam mais os moradores que os criminosos) - tudo voltava ao que era antes... ou seja, ao reino da desordem civilizacional.



Resumindo a cantilena: os criminosos, como fizeram em Sampa, há quatro anos, resolveram, esta semana, colocar as “barbas” pra fora. Enfrentando o Estado de forma descarada, orquestrada e sem medo e colocando a população civil, mais uma vez, em pânico. E, como ocorrera em São Paulo, as ordens para as badernas partiram de dentro das prisões - ou seja, o Estado é tão tacanho que não consegue, sequer, controlar as prisões... Estamos perdidos!



Como todos sabemos, não restava outra alternativa que não o enfrentamento dos bandos de traficantes. O governo não preparou esta ação e só houve união de forças (estadual e nacional) porque frente à barbárie que se abatia dia após dia sobre o Rio outra alternativa não existia. Era o "tudo ou nada"... nas palavras de um policial.



A população aplaude. A mídia incensa. O governador comemora. O Ministro da Justiça se vangloria... Tomara que no final o Estado democrático vença o crime - que a cada dia vai se organizando no Rio e em outras cidades brasileiras (diga-se de passagem).



Mas não tenho a menor dúvida. Se os governantes cariocas (com ou sem apoio federal):



(1) não enfrentarem o problema da corrupção e da violência de suas polícias - esse foi o primeiro passo para as grandes vitórias contra o crime em Nova Iorque e em Bogotá, na Colômbia;

(2) não desarticularem as milícias - que são a nova “cara” do crime no Rio - e hoje têm uma organização comercial estupenda;


e, por fim (3) não oferecerem saídas para os jovens das favelas e tratamento para os dependentes das drogas....

Se isso não for feito, mais uma vez teremos a vitória de Pirro.

Para quem não sabe, após a batalha de Ásculo contra os romanos, o rei de Épiro, Pirro, teria dado uma declaração que se tornou famosa. Ao felicitar seus generais depois de verificar as enormes baixas sofridas por seu exército, ele teria dito que com mais uma vitória daquelas estaria acabado. Desde então, a expressão "vitória de Pirro" é usada para expressar uma conquista cujo esforço tenha sido penoso demais. Uma vitória com ares de derrota.



E você: qual a sua opinião sobre as ações policiais no Rio de Janeiro e as soluções apresentadas pelo governo fluminense para debelar o crime na Cidade Maravilhosa?

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Uma visão panorâmica sobre a conjuntura mundial (novembro/2010)








Igor Fuser *



Adital -

1. REUNIAO DOS PAISES DO G-20



Esta reunião ocorre num momento de crise internacional muito grave, que a mídia não está cobrindo com o destaque necessário.



A reunião do G-20, na Coréia do Sul, se realiza no meio de um impasse monumental: os países mais importantes do mundo estão divididos diante da crise econômica global.



O que é o G-20? Grupo criado para enfrentar a crise em 2008... Verdadeiro comitê central dos assuntos do mundo, deixando a ONU numa função totalmente decorativa.



O objetivo do G-20 é articular a reação dos governos, que passariam a enfrentar a crise de uma forma coordenada... Se cada governo pensasse apenas no seu próprio interesse, a situação ficaria muito pior.



EUA jogaram essa ideia no lixo: 10 dias antes, lançaram uma emissão de dinheiro gigantesca, mais de 600 bilhões de dólares, supostamente a fim de incentivar a recuperação da economia americana, que está em recessão há dois anos.



Esse dinheiro na prática vai para os mercados internacionais, a especulação, desvalorizando o dólar em relação a todas as outras moedas, que aumentam o seu valor.



Com isso, a economia de todos os outros países se enfraquece: suas exportações ficam mais caras, principalmente para o mercado dos EUA, enquanto seus mercados internos ficam cada vez mais expostos à invasão de produtos importados...



Ao mesmo tempo, está em marcha uma invasão econômica dos EUA aos demais países: eles compram títulos da dívida pública do Brasil e de outros países, compram terras, empresas... Os EUA podem fazer isso porque são o único país que pode emitir uma moeda, o dólar, que é aceita internacionalmente.



Os governantes dos demais países estão todos furiosos. Em alguns casos, ameaçam também desvalorizar as suas moedas. Colocam barreiras para a entrada de capital americano. É o caso do Brasil, da Tailândia...



A China está na berlinda... EUA se juntam com a Europa e o Japão pra tentar forçar a China a valorizar a moeda. Se a China fizer isso, não vai mais conseguir exportar tanto. O resultado será a instabilidade interna: os trabalhadores chineses, que até agora foram beneficiados com o crescimento, vão protestar.



Mas mesmo os europeus e japoneses não querem ir muito longe numa briga com os chineses. Os EUA barateando o dólar querem conquistar também os mercados dos países aliados.



O cenário é de uma guerra comercial e cambial - uma luta de todos contra todos na cena econômica mundial... E dentro de cada um dos países desenvolvidos uma luta do governo + capitalistas contra os trabalhadores, tentando jogar nas costas dos setores populares o custo da crise.



2. O que temos é uma situação de um capitalismo desgovernado



Os EUA se mostram totalmente incapazes de exercer a liderança, como já fizeram no passado.



A economia americana está em decadência: a maior dívida externa, o maior déficit comercial. A pergunta que todos se fazem: por quanto tempo ainda vão se manter como a maior potência do planeta?



Os EUA não conseguem mais agir em defesa dos interesses do sistema capitalista no seu conjunto, mas utilizam sua posição como maior economia do mundo - e donos do dólar - para favorecer apenas os interesses dos seus próprios capitalistas, e enfrentar a crise da sua economia interna em prejuízo de todos os outros países do mundo.



O mundo é obrigado a escolher entre se submeter às imposições dos EUA ou mergulhar numa situação de anarquia econômica.



3. Temos assim um momento muito perigoso: o paralelo que se pode fazer é com o pós crise de 1929. Todos tentaram aumentar suas exportações, formar saldos positivos no comércio. Como isso é impossível, as economias nacionais continuaram estagnadas e o comércio entrou em colapso. Isso alimentou as tensões políticas que culminaram na II Guerra Mundial

Freixo: segurança pública reforça criminalização da pobreza

Policial visto durante tiroteio com traficantes no Rio de Janeiro

Marcela Rocha

                       Terra Maganize




Em entrevista a Terra Magazine, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ), conhecido pelo combate às milícias, afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fez "a escolha política" de ir "à fonte do financiamento do tráfico". Segundo ele, a ação da polícia carioca nas favelas reforça "a criminalização da pobreza" e não enfrenta o crime organizado. Ele será enfrentado, diz Freixo, "onde há o lucro (com a ilegalidade), que não é na favela".



- A favela é a mão de obra barata. É a barbárie - diz o deputado, elencando a Baia da Guanabara e o Porto como locais onde há o tráfico de armas e onde lucra o crime organizado.



Crítico da política de segurança pública do Rio, Freixo afirma que as reclamações dos moradores dos morros questionam a presença da polícia, comparando à ausência de políticas sociais, postos de saúde e escolas. Para o deputado, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) visam atender as necessidades de uma cidade que será Olímpica em 2016:



- As UPPs representam um projeto de cidade e não de segurança pública. O mapa das UPPs é muito revelador: é o corredor da Zona Sul, os arredores do Maracanã, a zona portuária e Jacarepaguá, região de grande investimento imobiliário. Então, são áreas de muito interesses para o investidor privado. (...) A retomada é militar para permitir um projeto de cidade, que é a cidade Olímpica de 2016. Para toda cidade Olímpica tem cidades não-Olímpicas ao redor - afirma.



Freixo foi presidente da CPI das Milícias, que investiga a ligação de parlamentares com grupos paramilitares. Por conta disto, o deputado chegou a ser ameaçado de morte. Leia abaixo a íntegra da entrevista:



Terra Magazine - O senhor é conhecido pelo combate às milícias. Em alguma medida, esses ataques podem interferir no comportamento delas?

Marcelo Freixo - Esses ataques não tem nada a ver com milícias, são reações às UPPs, que não atingiram as milícias em nada. Não há nenhuma área atingida pelas milícias que tenham sido ocupadas pelas UPPs. Pelo contrário.

Sobre esses ataques...

Esses ataques são do varejo da droga, que é muito menos organizado do que se imagina. Representam o crime da lógica da barbárie, da violência. Não são pessoas que têm referência com o crime organizado, porque a organização não faz parte de sua cultura de vida. É a barbárie pela barbárie. Então, os ataques não vêm do crime organizado, que deve ser enfrentado de uma outra forma.



Que forma?

Se quiser enfrentar o crime organizado tem que ir para a Baia da Guanabara que é por onde as armas entram. Aí, sim. Ali tem a operação financeira do crime organizado para o tráfico de armas. Isso não se enfrenta no Rio de Janeiro.



O senhor afirma que se trataram de atos bárbaros, sem uma organização. Mas esses ataques estavam sendo comandados pelo Comando Vermelho e pelo Amigo dos Amigos.

São facções da barbárie. É o crime organizado dentro das cadeias. São grupos que só são organizados de dentro das cadeias. Muito mais dentro do que fora. O crime organizado é onde tem dinheiro e poder, que não é o caso das favelas, onde fica a pobreza e a violência. A tradicional política de segurança do Rio, perpetuada há 11 anos, enfrenta as favelas com uma ação letal. Em 2007, o mesmo governo (Sérgio) Cabral entrou no Complexo do Alemão, matou 19 e saiu. Como está o Complexo do Alemão hoje? Igual. Esse tipo de ação é muito ineficaz. Se é para enfrentar o crime organizado, tem que ser onde ele lucra, que não é na favela. A favela é a mão de obra barata, e é a barbárie. É preciso ir à fonte do financiamento e aonde passam as armas. Essa é a escolha política que até hoje o governo Lula não fez.



Como o senhor avalia a implementação das UPPs?

As UPPs representam um projeto de cidade e não de segurança pública. O mapa das UPPs é muito revelador: é o corredor da Zona Sul, os arredores do Maracanã, a zona portuária e Jacarepaguá, região de grande investimento imobiliário. Então, são áreas de muito interesses para o investidor privado. O Estado, portanto, retoma - militarmente - este território. A retomada é militar para permitir um projeto de cidade, que é a cidade Olímpica de 2016. Para toda cidade Olímpica tem cidades não-Olímpicas ao redor.



No morro Dona Marta, por exemplo, moradores reclamaram bastante da truculência policial durante a ocupação das UPPs.

Em todas as áreas de UPPs existe muita reclamação, e hoje em dia isso vem aumentando. A maioria das queixas são causadas pela agressividade policial, não necessariamente agressão física, mas pela atitude, ou abuso de autoridade. Outra reclamação recorrente é que só polícia chegou a esses morros.



Como assim?

Só chegou polícia e não investimentos sociais. E é claro que não só de polícia a favela precisa. Uma coisa é enfrentar a barbárie, outra coisa é o fator que mantém aquela favela ali. As pessoas precisam de direitos. Não adianta levar a polícia e não levar a escola, o posto de saúde, o saneamento. Isso vai gerando um desgaste para a própria polícia também.



Dentro desse cenário que o senhor chama de "barbárie", e somando a ele esses ataques recentes, o senhor acredita que fica de ônus ao morador da favela?

Esses momentos reforçam o processo de criminalização da pobreza no Rio, o que é muito perigoso. Hoje, todas as operações policiais no Rio acontecem nas favelas. Todas. Não há nenhuma na Baia da Guanabara, nem no Porto, que é por onde entram as armas e onde funciona - verdadeiramente - o crime organizado. Então, reforça-se esse processo de criminalização das áreas pobres.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Superuniversidade: entre informações e desinformações

Universidades que integram o projeto do consórcio


Por André Luan Nunes Macedo,
Membro do Conselho Universitário da UFSJ, representante dos estudantes.



A primeira notícia sobre o consórcio universitário, metaforicamente intitulada pela mídia como “superuniversidade” foi publicada em 3 de agosto de 2010, conforme pesquisado no site de buscas www.google.com[1]. O debate sobre a concepção da “superuniversidade” só chegou ao Conselho Universitário da UFSJ (CONSU) em meados de setembro pelo professor e atual reitor, Helvécio Luis Reis. Além disso, até hoje somente uma reunião de trabalho foi feita pelos conselheiros com pauta única para discutir o projeto, e ainda nenhum seminário foi sugerido pela atual administração. De acordo com o raciocínio do professor, tal projeto era uma “proposta autônoma” dos reitores idealizadores da proposta. No texto que nosso reitor buscou explicar os bastidores da construção, o primeiro encontro para formular propostas teria sido em meados de julho[2], já com a presença do Ministro Fernando Haddad. Ao apresentar a data sobre o encontro, havia uma dúvida a ser esclarecida. Para chegar ao encontro da formulação, por uma questão lógica os reitores já pensavam sobre o assunto em suas universidades e necessariamente já tinham discutido algo a respeito em seus fóruns, provavelmente na ANDIFES. Então, questionamos: em que data ocorreu a primeira reunião dos sete professores que compõem o consórcio (UNIFEI, UNIFAL, UFSJ, UFOP, UFLA, UFJF e UFV)? Segundo o professor, a primeira reunião para construir os pilares para a formulação de idéias em torno do projeto ocorrera no início do ano, especificamente em fevereiro de 2010.


A partir dessas informações, quando nos encontramos em uma reunião com os DCE’s que participariam da superuniversidade, em outubro de 2010, buscamos encontrar os pontos de contato nas informações divulgadas em cada instituição para os estudantes e, a partir desse movimento, encontramos algumas contradições em relação às informações fornecidas. Todos os outros DCE’s disseram que o Consórcio havia partido de uma proposta advinda do Ministério da Educação para as universidades de Minas Gerais, na qual a UFMG, por exemplo, se recusou a participar. Nesse sentido, detectamos uma possível incongruência em relação ao que foi dito pelo professor Helvécio, quando nos apresentou um projeto não idealizado pelo governo federal. Tal relação muito nos preocupa diante da conjuntura universitária atual, onde a política institucional vê excessivamente com bons olhos todas as propostas advindas do atual governo.



O primeiro questionamento quanto ao Consórcio parte dessa relação e do possível ferimento da autonomia da comunidade acadêmica em traçar os seus projetos através de uma discussão interna permanente, algo que não tem acontecido durante o debate sobre esse projeto. Mais uma vez, por uma questão lógica, os conselhos superiores em nada participaram da discussão, pois tal projeto já vem ao longo do ano sendo construído pelas lideranças administrativas das sete universidades. Por quê os reitores não quiseram compartilhar suas propostas com os Conselhos superiores? Por quê não houve um interesse em buscar novas idéias da base? Quando não se faz um movimento dialógico entre o representante executivo e os conselhos, não poderia-se dizer que tal medida é um ferimento a uma discussão mais democrática? Será que essa medida vinda de “cima para baixo”, tão elogiada pelo professor Helvécio[3] é saudável para a dinâmica de reflexão da universidade? E, para nós, diante dos fatos, surge um questionamento que deve ser destacado: se já havia uma discussão sendo feita anteriormente, por quê a mídia só publicou as primeiras notícias em agosto?



A partir da última questão levantada, gostaríamos de compreender a relação entre o papel da mídia na divulgação dos acontecimentos e sua relação com os reitores das sete universidades.



A questão que causou mais resistência entre os sete reitores foi a divulgação das informações na grande imprensa. O nome superuniversidade causou grande insatisfação por parte deles, na qual a nomenclatura “Consórcio” seria mais apropriada.Também se mostraram indignados com informações de que haveria um “superreitor” na Superuniversidade, algo que distorce a conotação dada para a “parceria” entre esses representantes, que estariam dispostos a promover um maior “dialogo social”, nas palavras do presidente da comissão de construção do Consórcio, Luis Cláudio Costa, reitor da UFV. Nesse sentido, haveria uma dicotomia entre as informações repassadas pela mídia e a “versão oficial” dos fatos divulgada pelos reitores.



No entanto, ao realizarmos a pesquisa na internet, vemos que os artigos publicados por diversos jornais, como Estado de Minas, Último segundo, etc. possuem declarações de reitores que até esclarecem, dentro do espaço da mídia, as nomenclaturas criadas pela imprensa para divulgar as informações sobre o Consórcio. Ironicamente, encontramos, dentro do site da UFSJ, na parte específica do Núcleo de Educação à Distância (NEAD) uma notícia do Estado de Minas[4] que continha uma declaração do reitor da UFV, esclarecendo não só a nomenclatura, mas explicitando os objetivos do Consórcio, que foram igualmente reproduzidos nos documentos oficiais entregues por eles próprios[5].



Dessa forma, não detectamos dicotomia alguma, e sim um auxílio dos veículos de informação para noticiar a opinião pública brasileira a respeito do projeto. A grande mídia auxiliou os próprios reitores a reproduzirem suas idéias, exercendo a função de formadora de opinião, independente da sua discussão ideológica na sociedade. A mídia exerceria, portanto, a função de construtora da realidade e de formação de consenso sobre o projeto. Não se encontra nenhuma discussão crítica na internet[6] sobre a concepção do projeto. Ou seja, o único discurso reproduzido é o discurso dos reitores, algo que atrofia uma discussão mais democrática. Portanto, se deve haver uma crítica quanto o papel da mídia ela é contrária à análise negacionista dos reitores sobre o seu papel, uma vez que só as autoridades puderam relatar sobre o processo, enquanto que os conselheiros, o movimento estudantil e a comunidade acadêmica, agentes sociais extremamente preocupados com a pauta, assumiram um papel secundário na divulgação sobre o consórcio até então, que desde julho vem trazendo à tona grandes debates no cenário universitário brasileiro e internacional[7].



Negar a mídia como uma dimensão analítica para a construção de uma opinião, como foi feito por parte dos reitores, é ir numa contramão à reflexão que a universidade pública deve fazer sobre a grande imprensa. A mídia tem um grande poder de mediação na sociedade, e certamente é necessário entender a reprodução de suas informações para saber como será o comportamento da sociedade quanto à construção do projeto. E, como vimos, quando exercitamos essa reflexão, percebemos uma falsa dicotomia entre o que foi divulgado na mídia e nos documentos entregues pelos reitores.



Não há divulgação oficial dos fatos. A análise sobre o consórcio deve ser feita pelo prisma metodológico da totalidade social, entendendo todos os atores afetados pelas decisões dos reitores, seja na comunidade acadêmica, o governo federal, a justiça, etc.



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[1] Realizamos essa pesquisa no dia 16 de novembro de 2010, às 01:49 AM. Procuramos na Web notícias a respeito do tema com a palavra-chave “superuniversidade”.



[2] “Decidimos levar essa ideia ao Ministro da Educação, Fernando Haddad, em reunião que aconteceu no dia 19/7, noticiada amplamente pela imprensa brasileira”. Trecho retirado do texto “Consórcio das universidades federais sul-sudeste de Minas Gerais” do professor Helvécio Luis Reis.



[3] Nas palavras do professor Helvécio, “O Reitor representa legitimamente a Universidade, eleito por sua comunidade, fala em nome dela. Não me parece uma carta branca. Usando de prerrogativa legitimada pela comunidade universitária nas eleições, não se pode desprezar o papel de indutor do reitor e sua equipe. Também deve-se respeitar e incentivar a capacidade criativa da comunidade universitária, que legitimamente propõe a todo momento seus projetos e desenvolve iniciativas. É desta conjunção dialética de esforços que a universidade constrói-se, modela-se e remodela-se permanentemente. Portanto, compreendo como legítima minha participação nas discussões e na assinatura do protocolo de intenção para a criação do consórcio. Isso não fere nenhum princípio!”. Ibidem Uma pena que nem metade da proposta dialética foi contemplada por nosso reitor...



[4] http://www.nead.ufsj.edu.br/site/index.php/institucional/noticias/74-superuniversidade-avanca.



[5] Assim foi divulgado no site www.universia.com.br . Com o artigo intitulado “Consórcio cria superuniversidade mineira :Projeto envolve sete federais e sairá do papel em 2011”, já percebemos uma consumação dos fatos por parte da imprensa, que favorece ideologicamente a consolidação do projeto, quando diz que em 2011 ele “sairá do papel”. Além disso, o site ainda permite que haja um posicionamento do reitor de Alfenas, estabelecendo algumas ratificações: "Não é um projeto de fusão das instituições, mas sim de interação. A iniciativa visa fortalecer o Ensino, a pesquisa, a extensão e a relação com o Governo Federal a partir da complementaridade", explica Paulo Márcio de Faria e Silva, reitor da Unifal. Segundo ele, a chamada superuniversidade não terá CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) único. "Haverá um colégio de gestores, cada um deles com seus respectivos conselhos universitários, o que preservará a autonomia das envolvidas", elucida.

[6] Quando procuramos no Google as palavras-chaves “superuniversidade crítica”, não há nenhuma referência a algum contraponto em relação ao consórcio. A proposta dos reitores é muito bem elogiada e em nada se difere daquilo que estão dispostos a realizarem. Ironicamente, mais uma vez, o que aparece através de início nessa pesquisa é uma notícia hospedada no blog do jornalista Luis Nassif, que apresenta também os objetivos do Consórcio.



[7] Segundo a divulgação

Correção: Apresentação do Consórcio de Universidades Mineiras

Atenção para correção do horário divulgado.

Os representantes hoje em Gestão do Centro Acadêmico Livre de Economia , assim como alguns centros acadêmicos de outros cursos, foram convidados para participar da exposição do projeto da superuniversidade com a presença do Prof. Reitor Helvécio Luiz Reis. Naturalmente, acreditamos que não se trata de um interesse que a representação resolva. Convocamos todos os estudantes, de todos os cursos, em especial os de economia, para estarem presentes nesse dia dada a relevância do espaço:


Data: 23/11 (terça-feira)

Horário: 15h00

Local: Anfiteatro Campus Santo Antônio

sábado, 20 de novembro de 2010

Apresentação do Consórcio entre Universidades, ou Superuniversidade

Os representantes hoje em Gestão do Centro Acadêmico Livre de Economia , assim como alguns centros acadêmicos de outros cursos, foram convidados para participar da exposição do projeto da superuniversidade. Naturalmente, acreditamos que não se trata de um interesse que a representação resolva. Convocamos todos os estudantes, de todos os cursos, em especial os de economia, para estarem presentes nesse dia dada a relevância do espaço:

Data: 23/11 (terça-feira)

Horário: 14h00

Local: Anfiteatro Campus Santo Antônio

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mídia rica, democracia pobre

Com o término das eleições nos EUA, o maior vencedor ainda não foi declarado, porque a vitória foi dos grandes meios de comunicação.





Amy Goodman

Democracy Now, Análise - Brasil de Fato.



Com o término das eleições de metade de mandato nos Estados Unidos, o maior vencedor ainda não foi declarado, porque a vitória foi dos grandes meios de comunicação. O maior perdedor, por enquanto, tem sido a democracia. Estas eleições legislativas de metade de mandato foram as mais caras na história dos Estados Unidos: custaram quase USd 4 bilhões de dólares, dos quais USd 3 bilhões foram gastos em publicidade. Pergunto o que aconteceria se o tempo publicitário para as campanhas fosse gratuito. Não se ouvem debates a este respeito, e não se ouvem porque as corporações (conglomerados empresariais, em geral, transnacionais) que manejam (e manipulam e controlam) os meios de comunicação de massa obtêm imensos ganhos com os anúncios publicitários das campanhas políticas. No entanto, as ondas hertzianas (que trafegam pelo espectro radioelétrico) utilizadas pelas empresas de mídia para emitir seus sinais são públicas.



Isto me recorda o livro escrito em 1999 pelo especialista em meios de comunicação Robert McChesney: “Rich Media, Poor Democracy” (Meios ricos, democracia pobre). Em seu livro, McChesney escreve: “Os radiodifusores têm pouco incentivo para brindar cobertura aos candidatos já que resulta de seu interesse forçá-los a publicitar suas campanhas.”



O grupo de investigação Wesleyan Media Project (Projeto de Wesleyano de Mídia), da Universidade Wesleyan, faz um acompanhamento da publicidade política. Depois da recente sentença da Suprema Corte no caso “Citizens United contra a Comissão Federal Eleitoral” pelo qual se autoriza às grandes corporações (conglomerados empresariais) a destinar somas ilimitadas de dinheiro à campanha publicitária dos candidatos, o projeto de pesquisa sobre o comportamento da mídia destaca que: “O tempo de transmissão destinado a publicidade tem-se saturado de anúncios relacionados com a Câmara de Representantes (deputados federais) e o Senado, que ocupam até 20% e 79%, respectivamente, do total de tempo que as TVs estão no ar”.



Evan Tracey, fundador e presidente do grupo de análise de campanhas publicitárias Campaign Media Analysis Group (Grupo de Análise das Campanhas na Mídia), predisse no passado mês de julho (de 2010), em declarações para o jornal USA Today, que: “Haverá mais dinheiro para ser investido do que espaço de transmissão para ser comprado”. Por sua vez, John Nichols, do semanário The Nation, comentou que nos amáveis primeiros tempos da publicidade política televisiva, os canais de TV nunca teriam permitido a transmissão de um anúncio a favor de um candidato, seguido de outro anúncio, apoiando o candidato concorrente (obs. do tradutor: as eleições parlamentares estadunidenses são distritais). Essa constatação, não levava em conta o patrimônio acumulado dos grandes meios. Mas, nos dias de hoje, veicular anúncios políticos é como alugar um imóvel. Bem vindos ao “mundo feliz” das campanhas feitas com bilhões de dólares.



No passado, já houve intentos de regular o uso das ondas hertzianas trafegando pelo espectro radioelétrico para que estejam a serviço da população durante as eleições. Nos últimos anos, a tentativa mais ambiciosa ficou conhecida como “Reforma do financiamento das campanhas eleitorais de McCain-Feingold”. Durante o debate sobre esta histórica legislação, tanto democratas como republicanos fizeram referência ao problema das exorbitantes taxas de publicidade televisiva. O senador pelo estado de Nevada John Ensign, republicano, lamentava-se: “As emissoras não queriam nem pensar nas campanhas eleitorais porque era a época do ano em que ganhavam menos dinheiro devido ao baixo valor atribuído às cotas publicitárias durante esse período. Agora, as eleições são seus momentos preferidos já que, de fato, é uma das épocas do ano com mais ampla margem de lucros.” Finalmente, para que este projeto de lei fosse aprovado, se omitiram as cláusulas referentes ao “tempo de veiculação de propaganda pública”.



A sentença dada no caso do grupo de pressão conservador Citizens United neutraliza eficazmente a Reforma do financiamento das campanhas proposta por McCain-Feingold. Não há como imaginar ou mensurar o que será gasto nas eleições presidenciais de 2012. O senador por Wisconsin, Russ Feingold (co-autor do projeto), perdeu a oportunidade de ser reeleito em sua disputa contra o praticamente auto-financiado multimilionário Rum Johnson. O editorial do jornal Wall Street Journal celebrou a esperada derrota de Feingold. O jornal é propriedade da corporação transnacional News Corp, de Rupert Murdoch, que possui diversos veículos, incluindo ademais a cadeia de televisão Fox e que doou quase USd 2 milhões de dólares para a campanha dos republicanos.



“As eleições se transformaram em uma commodity, um produto fundamental para a alta lucratividade destas rádios e canais de televisão”, me disse no dia das eleições Ralph Nader, defensor dos consumidores e ex-candidato a presidente. Também falou: “As ondas de rádio e TV são públicas, e como sabemos, pertencem ao povo. O povo é o proprietário e as redes de rádio e televisão são as titulares das licenças para usar essas ondas, digamos que são como inquilinos. No entanto, para obter sua habilitação anual, não pagam nada para o FCC (Federal Communications Commission, a Comissão Federal de Comunicações, órgão regulador dos canais nos EUA). Assim, seria de grande eficácia persuasiva, se tivéssemos políticas públicas que impusessem módicas condições de preço (que os radiodifusores paguem pela permanência de suas outorgas!) para obter a licença que permite a estas redes de rádio e televisão aceder ao imensamente lucrativo controle das ondas públicas de radiofreqüência, 24 horas por dia. Poderíamos lhes dizer que, como parte do intercâmbio (do contrato social) por controlar estes bens comuns, deveriam destinar certa quantidade de tempo, tempo gratuito no rádio e na televisão, para os candidatos a cargos públicos através de eleições.”



Este tema deveria ser posto em debate nos grandes meios de comunicação, dado que é neles onde a maioria dos estadunidenses obtém informação. Mas as emissoras de rádio e televisão têm um profundo conflito de interesses. Em sua ordem de prioridades, seus lucros estão acima de nosso processo democrático. Seguramente não ouviremos falar deste tema nos programas de entrevistas políticas dos domingos pela manhã.






Amy Goodman é a âncora de Democracy Now!, um noticiário internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de rádio e televisão em inglês e em mais de 250 em espanhol. É co-autora do livro "Os que lutam contra o sistema: Heróis ordinários em tempos extraordinários nos Estados Unidos", editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur


Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna.



Texto traduzido da versão em castelhano e revisado do original em inglês por Bruno Lima Rocha; originalmente publicado em português em Estratégia & Análise.

domingo, 17 de outubro de 2010

Vertentes: Política, Poder e Jornalismo


Blog destinado a publicações relativas ao conteúdo de atividades realizadas na disciplina "Tópico Variável em Jornalismo Especializado: Jornalismo Político", do curso de Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Federal de São João del-Rei.

Notícias da região com análises muito interessantes, coisas que mesmo morando aqui há vinte anos li pela primeira vez. Recomendo! Está agora em Sites Indicados.


Apenas como apresentação, veja uma das publicações:


Grupos políticos controlam a mídia em São João del-Rei


Família Neves e deputado Reginaldo Lopes investem no poder dos meios de comunicação de massa

Ana Gabriela Oliveira, Rafaella Dotta e Thayná Faria





Importante fórum de discussão na modernidade, a mídia tem o potencial de contribuir para a efetivação da vida democrática. Para isso, deve estar a serviço do interesse social, informando e garantindo ao indivíduo chances de exercer sua cidadania. São João Del-Rei, entretanto, é um exemplo dentre muitas cidades brasileiras, em que a mídia está atrelada a interesses particulares, estreitamente ligados ao poder político.

Na cidade, os principais meios de comunicação de abrangência regional mantêm relação com a política. O jornal A Gazeta de São João Del-Rei, o canal de televisão TV Campos de Minas e as rádios São João Del-Rei e Vertentes, as duas últimas respectivamente AM e FM, são veículos que integram o grupo midiático pertencente à família Neves, enquanto o jornal Folha das Vertentes está ligado ao deputado federal Reginaldo Lopes (PT).

A Gazeta de São João del-Rei, jornal semanal que circula em mais de 10 cidades da região, foi fundada por Herval Cruz Brás há 12 anos e é um dos impressos mais lidos na cidade. Quando fundou o periódico, Herval era casado com Andréia Neves, irmã do senador Aécio Neves.

Atualmente, o jornal está em estado de espólio (divisão, depois da morte de Herval) e tem como editora chefe a jornalista Carla Gomes¸ além de uma equipe relativamente pequena, composta por duas jornalistas, dois colunistas, funcionários da diagramação, revisão, setor administrativo e serviços gerais.


A colunista da Gazeta Cláudia Simões, que trabalha no jornal desde a sua primeira edição, reconhece que há um vínculo da mídia regional com grupos políticos, que interfere na linha editorial. A colunista informou, inclusive, sobre o projeto de integração dos veículos do grupo midiático ligado à família Neves (Gazeta e as rádios São João e Vertentes) que passaram a funcionar no mesmo local em um prédio no Largo da Cruz, localizado no centro da cidade. A TV Campo de Minas continuará funcionando no bairro Tejuco, apesar de pertencer ao grupo.

No entanto, o assunto é polêmico, já que a editora chefe da Gazeta de São João del-Rei ,Carla Gomes, alega desconhecer vínculos do jornal com a família Neves. Ela afirma apenas que o veículo tem uma linha editorial, que é direcionada pela parte administrativa que está a cargo de Juliane Menezes Machado, considerada braço direito de Andréia Neves.

Juliane Machado, mesmo informando que é a responsável por administrar os quatro veículos de comunicação em questão, não admite que exista um grupo midiático controlado por Andréia Neves. Ela admitiu que a irmã do ex-governador é proprietária apenas da Rádio Vertentes. Quanto à Rádio São João, Juliane informou que o dono é um tio de Aécio Neves, mas que não tem ligação com a política. Sobre a TV Campo de Minas, a administradora disse que é de uma fundação.


Já o jornal Folha das Vertentes circula há seis anos na cidade e possui como diretor Ancil Souza Filho, o Pinto, assessor político do presidente do PT – MG e deputado federal Reginaldo Lopes. A editora-chefe do jornal é Maria de Lurdes Lara, assessora de comunicação do mesmo político. Ancil, porém, não admite que o vínculo existente com o deputado petista interfira na linha editorial do jornal. Ele argumenta que o jornal dá espaço para todos os grupos políticos da região, sem distinção.


A ligação estreita entre mídia e imprensa influencia na escolha dos temas e na forma como estes serão tratados, comprometendo a responsabilidade social e a ética do jornalismo. Destinados a influenciar disputas políticas, os veículos de comunicação viram palanques, sobretudo em época de eleições.

Para evidenciar o vínculo dos grupos políticos com os meios de comunicação no Campo das Vertentes, basta uma análise de conteúdo do que é divulgado nos veículos. As sete ultimas edições quinzenais da Folha das Vertentes, correspondentes aos meses de junho, julho, agosto e setembro, apresentam matérias favoráveis ao PT, dentre elas: “Reginaldo Lopes visita campus do IFET em São João del-Rei” - uma das marcas de campanha do deputado é ter trazido o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFET) para a cidade (1ª quinzena de setembro), “São João recebe dois ônibus escolares do governo federal” (1ª quinzena de setembro), “Lula inaugura campi na UFSJ” (2ª quinzena de agosto), “IFET inaugura mais três cursos” (1ª quinzena de agosto), “Hospital inaugura lavanderia”- sobre investimento em equipamentos de hospital por meio de emenda de Reginaldo Lopes - (2ª quinzena de julho), “MEC investe R$ 2,5 milhões no IFET de São João del-Rei” (1ª quinzena de julho), “Dilma Rousseff fala para empresários em Tiradentes” (2ª quinzena de junho), “Reginaldo Lopes anuncia mais R$720 mil para a Santa Casa” (1ª quinzena de junho).

Mesmo dando destaque a outros assuntos, como denúncias contra o prefeito Nivaldo Andrade (PMDB) e matérias sobre o noticiário político de São João del-Rei, as manchetes citadas anteriormente evidenciam a linha editorial claramente favorável ao PT e, em especial, às ações do deputado federal Reginaldo Lopes.

A Gazeta, embora mais sutil em sua postura ideológica, apresenta clara linha favorável ao PSDB. De forma geral, o partido e seus aliados têm destaque no veículo, que não aborda falhas que envolvem o governo estadual. As críticas ao PT também são recorrentes no jornal, sobretudo na coluna de Jota Dângelo. Em sua coluna publicada no dia 28 de agosto deste ano, por exemplo, o escritor utiliza os termos “aloprados”, “corja” e “turma da pesada que gosta de fazer dossiês” para se referir a petistas.




Administração e linha editorial do grupo tucano



sexta-feira, 16 de julho de 2010

A mídia na formação mental


Zillah Branco *

Já se foi o tempo em que a TV podia contribuir na formação mental de um público carente de informação geral e de exemplos enobrecedores do comportamento humano. Ajudava a família a debater com os filhos temas que tocavam os sentimentos mais profundos que ultrapassavam as experiências do dia-a-dia por meio de notícias ou novelas bem orientadas.



Hoje a informação é transmitida com base nos princípios do mercado publicitário, visando lucro financeiro ou político. Para que o entrevistador se liberte do ultrajante “dever”(estratégico) de atenuar o aspecto criminoso de um famoso goleiro de grande clube de futebol que conduziu a ex-namorada a uma morte horrorosa com requintes de crueldade abjectas, convidam um especialista em psicologia que vai dizer que “a quebra da visão mítica que as crianças têm de um ídolo é importante para não ficarem alienadas em relação à realidade humana como quando acreditaram em Papai Noel”. Refiro-me ao que assisti no dia 7 de Julho no Jornal das Dez (22h) da Globo que convidou um eminente profissional da elite para explicar a surpresa que a sociedade vive diante do comportamento do goleiro Bruno considerado uma figura pública promovida a ídolo da juventude das torcidas de futebol no Brasil.



Este caso esclarece uma prática aplicada à estratégia da mídia, em especial da Globo que congrega bons profissionais e excelente técnica jornalística, que manipula os seus valores (sobretudo dos seus funcionários mas, o que é pior, pela ação deles o do conteúdo ético das mensagens) parecendo uma empresa de comunicação neutra e deixando que um especialista (que deve entender do assunto para ensinar cientificamente aos telespectadores o lado certo das coisas) explique a normalidade de um ídolo nacional da juventude que se torna um criminoso capaz de sequestrar, ameaçar de morte, impor um abortivo até chegar ao comando de um assassinato. A quem pedir que proteja a população brasileira da desinformação midiática e também dos especialistas irresponsáveis? A Deus?



Na sequencia destes programas de horror que invadem as casas de qualquer pessoa, assiste-se ainda ao jogo mesquinho de poder entre policias de dois

Estados brasileiros, onde o discurso midiático insinua haver qualquer anterior compromisso em defesa do criminoso que foi denunciado pela vítima há 8 meses atrás mas os exames comprovativos ficaram ocultos até agora. Verdade também? Será que vai tão mal a polícia como a mídia e os especialistas escolhidos? Todo o desenvolvimento alcançado pelo governo Lula estará sujeito ao poder da velha oligarquia que age segundo interesses pessoais, vaidades, competições e incompetências na orientação da vida nacional? Não há fiscalização dos serviços de utilidade pública – incluindo a saúde mental e a formação cultural – que previna tanta degradação ética?



Aparentemente a mídia relata tudo democraticamente ao invadir e até se antecipar no julgamento e na apresentação de provas de um processo que mal começou. E começou mal, opondo duas organizações policiais que têm a obrigação de somar os seus esforços para esclarecer um problema que abalou a nação. Com isto alimenta possiveis torcidas para o jogo em que a bola é um crime pavoroso. E fala e repete o pouco que sabe durante 24 horas do dia, dando ênfase à sua hipótese, que já é apresentada como uma tese, de que uma figura pública de prestígio nacional até agora impoluto organiza um sequestro sequido de morte com requintes bárbaros para desaparecer o cadáver provavelmente devorado por cães treinados por um ex-policial expulso e rouba o bebê, seu filho, que no fim é encontrado.

terça-feira, 13 de julho de 2010

CPI DO MST: “Não identificamos um centavo de desvio de recurso público”, afirma relator da CPI


Veja que delírio. Vamos esperar a retratação? Ou não?

Capa da Revista Veja ao abrir a CPI
                                                                                                          Como é que é?



Por Aline Scarso
Da Radioagência NP


Não há desvio de dinheiro público para a ocupação de terra no Brasil.


Foi o que concluiu o relatório da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), que investigou a ligação entre entidades da reforma agrária e ministérios do governo.


Jilmar Tatto (relator), Almeida Lima (presidente) e

Onxy Lorenzoni (vice-presidente) em sessão da CPMI

No total, foram realizadas treze audiências públicas em oito meses.



A CPMI também investigou as contas de dezenas de cooperativas de agricultores e associações de apoio à reforma agrária.

Para o relator da CPMI, deputado federal Jilmar Tatto (PT/SP), “foi uma CPMI desnecessária”.

“São entidades sérias que desenvolvem um trabalho de aperfeiçoamento e de qualificação técnica do homem do campo. O que deu para perceber foi que a oposição, principalmente o DEM e o PSDB, estavam com uma política de criminalizar o movimento social no Brasil. Tanto é verdade que, depois de instalada a CPMI, eles praticamente não apareceram nas reuniões.”



O deputado federal Onxy Lorenzoni (DEM/RS) pediu vista do relatório durante a última sessão. Com isso, uma nova reunião foi marcada para a próxima quarta-feira (14). A expectativa é de que a bancada ruralista coloque em votação um relatório paralelo à relatoria oficial, mesmo não tendo participado das audiências de investigação.




Abaixo, leia entrevista com o deputado federal Jilmar Tatto (PT/SP).

terça-feira, 15 de junho de 2010

Irã: quem atira a primeira pedra?


Escrito por Frei Betto




O presidente Lula empreendeu uma delicada operação diplomática para evitar que o Irã utilize a energia nuclear para fins bélicos. As nações mais poderosas do mundo, capitaneadas pelos EUA, logo expressaram sua indignação e discordância: como um "paiseco" como o Brasil ousa querer ditar regras na política internacional?

Marx, Reich e Erich Fromm já nos haviam prevenido que preconceito de classe costuma ser um tabu arraigado. Como alguém que nasceu na cozinha tem o direito de ocupar a sala de jantar?

Pelo critério de George Bush, lamentavelmente preservado por Obama, o Irã faz parte das nações que integram o "eixo do mal". Não morro de amores pela terra dos aiatolás, considero o governo iraniano uma autocracia fundamentalista e discordo do modo patriarcal que o Irã trata as suas mulheres, como seres de segunda classe. Diga-se de passagem, assim também faz o Vaticano, razão pela qual as mulheres são impedidas de acesso ao sacerdócio.

Mas não custa questionar o cinismo dos senhores do mundo com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU: por que Israel tem o direito de possuir arsenal nuclear e o Irã não? Ele jogaria uma bomba nuclear sobre outras nações? Ora, isso os EUA já fizeram, em 1945, sacrificando milhares de vidas inocentes em Hiroshima e Nagasaki.

O Irã desencadearia uma guerra mundial? Ora, o Ocidente civilizado já promoveu duas, a segunda vitimando 50 milhões de pessoas. O nazismo e o fascismo surgiram no Oriente? Todos sabemos: foram criação diabólica de dois países considerados altamente civilizados, Alemanha e Itália.

Os árabes, ao longo de 800 anos, ocuparam a Península Ibérica. Deixaram um lastro de cultura e arte. A Europa ocupou e saqueou a África e a Ásia, e o lastro é de miséria, mortandade e extorsão. O Irã é uma ditadura? Quantas não foram implantadas na América Latina pela Casa Branca? Inclusive a do Brasil, que durou 21 anos (1964-1985). Há pouco, a Casa Branca apoiou o golpe militar que derrubou o governo democrático de Honduras.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Meio Ambiente: o que estão fazendo?


Estamos constantemente nos questionando sobre as possibilidades de recuperação do meio-ambiente; ou ainda há alguns que afirmam que ele não precisa de recuperação ou esta virá com o desenvolvimento da tecnologia. E não devemos fazer nada agora?

Há uma política Nacional para o meio-ambiente. Numa série de três textos, são apresentadas as principais ações do governo federal com reflexo direto sobre os ecossistemas brasileiros e a qualidade de vida das comunidades constituintes com base de 2007:

A não declarada Política Nacional de Meio Ambiente (1)

A não declarada Política Nacional de Meio Ambiente (2)

A não declarada Política Nacional de Meio Ambiente (3)

Filipe Rodrigues

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mídia e Economia: Pesquisadora afirma que Veja foi indispensável para construir o neoliberalismo


A afirmação é da pesquisadora Carla Luciana Silva, que registrou em sua tese de doutorado o papel assumido pela principal revista do Grupo Abril na construção da hegemonia neoliberal no país


A professora do curso de História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) Carla Luciana Silva passou meses dedicando-se a leitura paciente de pilhas de edições antigas da revista Veja. A análise tornou-se uma tese de doutorado, defendida na Universidade Federal Fluminense, e agora, em livro. “Veja: o indispensável partido neoliberal (1989-2002)” (Edunioeste, 2009, 258 páginas) é o registro do papel assumido pela principal revista do Grupo Abril na construção do neoliberalismo no país.

A hipótese defendida pela professora Carla é que a revista atuou como agente partidário que colaborou com a construção da hegemonia neoliberal no Brasil. Carla deixa claro que a revista não fez o trabalho sozinha, mas em consonância com outros veículos privados. Porém, teve certo protagonismo, até pelo número médio de leitores que tinha na época – 4 milhões, afirma Carla em seu livro.


“A revista teve papel privilegiado na construção de consenso em torno das práticas neoliberais ao longo de toda a década. Essas práticas abrangem o campo político, mas não se restringem a ele. Dizem respeito às técnicas de gerenciamento do capital, e à construção de uma visão de mundo necessária a essas práticas, atingindo o lado mais explícito, produtivo, mas também o lado ideológico do processo”, afirma trecho do livro.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Conversar; não atacar: Acordo com Irã é a maior vitória diplomática do Brasil


O recente acordo com o Irã coloca o Brasil em uma importante frente diplomática, política que se mostrou eficiente neste caso, superando agressões norte-americanas e sanções dos países alinhados. Observando que quando se conversa em tom de ameaça (como foi feito antes das sanções) não se trata de uma conversa, mas uma tentativa de imposição.

A política de conversa "amigável" proposta pelo Brasil foi considerada por jornais norte-americanos como "ultrapassar os limites da ingenuidade". Lula deve ser reconhecido por essa vitória, mas não devemos deixar de lado o papel histórico do Brasil em relações internacionais como "um bom vizinho". História que Lula potencializou, não criou, como querem afirmar.

As novidades são importantes, podem trazer benefícios almejados pelo governo brasileiro. Conquistando uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Ainda intensificando relações comerciais com países estratégicos no viés econômico, pelo aumento da importância realtiva do Brasil em escala mundial.

A energia nuclear dos EUA pode destruir o mundo, pelo que não se deve encerrar as conversas sobre medidas de redução e até extinção de armas nucleares. O Irã não pode, o Brasil não pode; mas as grandes potências também não podem, ou não deveriam poder... Afinal eles pretendem usar?

Veja mais sobre o acontecimento, fato complexo em que houve avanço, ainda falta a solução:

Brasil e Irã defendem uma nova ordem mundial

Política de sanções fracassa

Irã seguirá enriquecendo urânio a 20%, diz chefe de agência nuclear


Filipe Rodrigues

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Você viu? Para o Supremo, a tortura não é um crime de lesa-humanidade



No dia 29 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) impôs uma derrota aos direitos humanos. Ao decidir que as torturas cometidas durante a ditadura civil-militar se enquadram no rol de crimes políticos, e não comuns, seus autores devem permanecer impunes.

Por 7 votos a 2, a Corte Suprema negou um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil para que a tortura não fosse interpretada como “crime conexo” – termo que consta na Lei de Anistia de 1979. Para a OAB, a tortura é um crime de lesa-humanidade e não pode ser configurada como conexo a um contexto político.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Notícias Econômicas


Veja as notícias de nossa conjuntura econômica em sites considerados referências de informações por alguns economistas:

Terra Economia - Produção industrial cresce 2,8% em Março

Valor Online - Ibovespa está abaixo dos 66 mil pontos

Enjoy!

Filipe Rodrigues

segunda-feira, 3 de maio de 2010

As Loucuras de Nossos Tempos




Quando o Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama foi nomeado Prêmio Nobel da Paz, Michael Moore declarou: “agora seja digno dele!”. Muitas pessoas gostaram do engenhoso comentário pela agudeza dessa frase, embora muitos não viessem outra coisa na decisão do Comitê norueguês mais do que a demagogia e a exaltação à aparentemente inofensiva politicagem do novo presidente dos Estados Unidos da América, um cidadão afro-norte-americano, bom orador, e inteligente político dirigindo um império poderoso envolvido em profunda crise econômica.


A reunião mundial de Copenhague começaria em breve e Obama despertou as esperanças de um acordo vinculador onde os Estados Unidos da América somar-se-iam a um consenso mundial para evitar a catástrofe ecológica que ameaça a espécie humana. O que lá aconteceu foi decepcionante, a opinião pública internacional foi vítima de um doloroso engano.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Desemprego na Espanha chega a 20,05%


 Percentual o mais alto nível desde o quarto trimestre de 1997.

 País tem 4.612.700 de desempregados, sendo pesquisa.


O desemprego na Espanha bateu recorde no primeiro trimestre do ano, ao alcançar 20,05% da população ativa, percentual mais alto desde o quarto trimestre de 1997, segundo a Enquete de População Ativa (EPA), elaborada pelo Instituto Nacional de Estatística do país e divulgada nesta sexta-feira (30).


Ao todo, 4.612.700 pessoas estavam desempregadas, sendo que 286.200 pessoas entraram para o grupo no primeiro trimestre, informou a EPA.

A percentagem de desemprego é a mais alta desde o quarto trimestre de 1997, segundo a EPA, elaborada pelo Instituto Nacional de Estatística do país europeu. Os dados refletem um aumento da taxa de desemprego de 1,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

Segundo a EPA, no último ano o número de desempregados aumentou em 602 mil pessoas.

No final de março, o número de ocupados era de 18.394.200 pessoas, o mais baixo desde o quarto trimestre de 2004.

O desemprego é um dos freios da recuperação da economia espanhola, e levou o governo espanhol a lançar vários planos de estímulo.

Fonte: G1

Filipe Rodrigues

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Carta da Terra


Companheiros e Companheiras:

Como a maioria de nós, existe um grande número de pessoas preocupadas com o destino do nosso planeta. Infelizmente, não são aquelas que tem o poder individual - como grandes líderes políticos das grandes potencias que devem escolher entre sua dominação em um provável nada e o planeta terra para todos, e que escolhem ainda a primeira opção - poder de alterar a situação de degradação que persiste e nos caminha para auto-destruição. As pessoas que se conscientizam e não querem ser reis do nada, ou mortos pelo seu reinado se unem e organizam ações como essa:

A missão da Iniciativa da Carta da Terra é promover a transição para formas sustentáveis de vida e de uma sociedade global fundamentada em um modelo de ética compartilhada, que inclui o respeito e o cuidado pela comunidade da vida, a integridade ecológica, a democracia e uma cultura de paz.

Foi divulgado o texto da Carta da Terra no que segue:


terça-feira, 27 de abril de 2010

A mídia não comenta, mas Cuba realiza eleições neste domingo

Para algumas pessoas no mundo deve ter soado um pouco estranho o anúncio do Conselho de Estado da República de Cuba de que no domingo 25 de Abril se efetuarão as eleições para delegados às 169 Assembleias Municipais do Poder Popular.




Por Juan Marrero, em Cuba Debate

Isso é perfeitamente compreensível, pois um dos componentes principais da guerra mediática contra a revolução cubana tem sido negar, escamotear ou silenciar a realização de eleições democráticas: as parciais, a cada dois anos e meio, para eleger delegados do conselho, e as gerais, a cada cinco, para eleger os deputados nacionais e integrantes das assembleias provinciais.
Cuba entra no seu décimo terceiro processo eleitoral desde 1976 com a participação entusiasta e responsável de todos os cidadãos com mais de 16 anos de idade.
 
Leia a notícia completa.
 
 
E ainda; povo cubano responde a Campanha midiática contra seu páis. (veja aqui)
 
 
Filipe Rodrigues